Modelo de Vale: o adiantamento no papel, sem caderninho
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"Me adianta duzentos que eu desconto no pagamento?" — o vale é provavelmente o documento mais emitido do Brasil e o menos escrito. Ele vive de memória, de mensagem de WhatsApp perdida e do famoso caderninho de capa dura. Até o dia do acerto, quando uma parte lembra de três vales e a outra lembra de dois. O modelo abaixo resolve isso em um parágrafo: copie, preencha, colha a assinatura.
O texto do vale (copie e preencha)
VALE — R$ [valor]
Recebi de [nome de quem concedeu], CPF/CNPJ [___], a quantia de [valor por extenso], a título de [ex.: adiantamento da quinzena / adiantamento de salário / adiantamento de diárias], a ser descontada de [ex.: salário da competência agosto/2026].
[Cidade/UF], [dia] de [mês] de [ano].
______________________________ [Nome de quem recebeu] — CPF [___]
Quem assina é quem recebeu o dinheiro adiantado — e o papel fica com quem adiantou. No dia do acerto, esse papel é a linha de desconto explicada: sem "eu lembro que foi menos", sem "isso já tinha sido descontado".
O que é um vale, afinal
O vale é o registro de um adiantamento: dinheiro entregue agora por conta de um pagamento que ainda vem — o salário do mês, as diárias da semana, o acerto do serviço. Ele tem dois pés:
- É um recibo: prova que o valor foi entregue e recebido, com data e assinatura. Aqui vale o princípio da quitação do Código Civil (arts. 319 a 326) — quem entrega dinheiro tem direito ao comprovante com valor, partes, data e assinatura de quem recebeu.
- É um lembrete de desconto: aponta de onde aquele valor vai sair depois. É o pé que os recibos comuns não têm — e o motivo de o vale ser um documento próprio.
Sem o segundo pé, o adiantamento vira dívida invisível. Com ele, o acerto do fim do mês é aritmética, e aritmética não briga.
Por que registrar o vale evita briga
O caderninho tem três defeitos que todo mundo que já usou conhece:
- Ele é de um lado só. Quem anota é quem concede — e quem recebeu nunca assinou aquela linha. Na hora do desconto, a anotação vira "palavra contra palavra com letra feia".
- Ele não tem baixa. O vale descontado continua escrito igualzinho ao vale pendente. Dois meses depois, ninguém sabe o que já foi acertado.
- Ele some. Caderninho molha, rasga, fica na outra calça. E a memória que o substitui puxa cada um para o seu lado — sem má-fé, é assim que memória funciona.
O vale assinado inverte tudo: as duas partes reconheceram o valor no momento em que ele saiu da mão, o papel diz de onde desconta, e a baixa acontece por escrito no recibo do pagamento ("já descontado adiantamento de R$ 200,00 de 12/08"). O ciclo fecha limpo: vale assinado na saída, desconto anotado na chegada.
Três cenas do dia a dia (e como o vale entra)
Na obra
O ajudante pede R$ 300,00 na quarta-feira por conta das diárias da semana. Sem registro, sexta-feira vira negociação. Com o vale: "a título de adiantamento de diárias, a ser descontado do acerto semanal de 14/08/2026" — sexta-feira é só subtração.
No comércio
A funcionária da loja pede um adiantamento de R$ 400,00 no dia 12. O vale diz: "adiantamento de salário, a ser descontado da competência agosto/2026". No pagamento do dia 5, o recibo de salário traz a observação do desconto — os dois papéis se completam e a contabilidade do mês fecha sozinha.
No serviço doméstico
A cuidadora mensalista precisa antecipar R$ 250,00 numa emergência. O vale registra com data e assinatura; no recibo de salário do mês, a baixa. Todo mundo dorme tranquilo — e a relação de confiança, que é o ativo mais valioso do trabalho doméstico, fica protegida justamente por não depender de memória.
Os campos do vale, um a um
No Reciba, o vale pergunta exatamente o que precisa — uma pergunta por tela, no celular:
| Campo | O que escrever | Por que existe |
|---|---|---|
| Quem concede | Nome e CPF/CNPJ de quem adiantou | É quem fica com o papel |
| Quem recebe | Nome e CPF de quem pegou o valor | É quem assina |
| Valor | R$ 300,00 — extenso automático | Número e texto sempre iguais |
| Referente a | "Adiantamento da quinzena" | Dá nome ao dinheiro |
| A descontar de | "Salário de agosto/2026" (opcional) | O pé de lembrete do desconto |
| Data e local | Cidade e dia da entrega | Ancora o vale no tempo |
| Assinatura | Linha para quem recebeu | A quitação de quem pegou |
O campo "a descontar de" é opcional — nem todo vale já nasce com destino certo — mas preenchê-lo é o que transforma o vale de recibo avulso em peça de um acerto futuro. Se souber, escreva.
Exemplo preenchido
VALE — R$ 300,00
Recebi de Carlos Eduardo Nunes, CPF 234.567.890-11, a quantia de trezentos reais, a título de adiantamento de diárias da semana, a ser descontada do acerto semanal de 14/08/2026.
Belo Horizonte/MG, 12 de agosto de 2026.
______________________________ Jair Moreira da Silva — CPF 345.678.901-22
Curto assim mesmo. O vale bom é o que se preenche em um minuto na porta da obra — se o modelo pede mais que isso, ele volta a perder para o caderninho.
Erros que fazem o vale falhar
- Vale sem "a descontar de" quando o destino já é certo. O valor sai, o desconto fica combinado "de boca" — e a boca esquece. Se o desconto tem endereço, escreva o endereço.
- Vale sem assinatura. Anotação unilateral é o caderninho de novo, só que em papel avulso. A assinatura de quem recebeu é o que faz o documento.
- Não dar baixa no acerto. O vale foi assinado, mas o recibo do pagamento não menciona o desconto. Resultado: um papel dizendo que há R$ 300,00 a descontar e um recibo mudo sobre isso. A observação no recibo do pagamento fecha o ciclo.
- Extenso divergente. R$ 300,00 no topo, "duzentos reais" na linha — em documento de desconto futuro, a divergência é ainda pior. No gerador, o extenso sai automático.
- Perder o papel. O vale é justamente o documento que se emite na correria — e papel de correria se perde. A versão eletrônica tem link permanente de segunda via: o vale de abril está lá em novembro.
Vale eletrônico: o caderninho que ninguém perde
No Reciba, o vale sai em 2 minutos no celular: PDF em A4 com numeração sequencial de talão (VALE Nº 0012, 0013... — seu histórico de adiantamentos em ordem), prévia completa antes de pagar, envio por WhatsApp e link permanente de segunda via.
Além da linha de assinatura no papel, quem recebeu pode confirmar o recebimento eletronicamente pelo link, com código enviado por e-mail — na forma admitida pela MP 2.200-2/2001, art. 10, §2º —, com carimbo de data e hora com segundos, QR de verificação e registro de IPs. Depois do aceite, o vale fica imutável: exatamente o que se quer de um documento que será conferido no futuro. Essa confirmação é opcional — o vale impresso e assinado à caneta continua sendo o clássico que funciona.
Os 3 primeiros documentos são grátis (com o selo discreto "Feito no Reciba"); depois, R$ 1 no Pix por documento, com sua logo — ou o Passe do Mês por R$ 5, 30 dias à vontade, sem renovação automática. Para quem concede vale toda semana, é o caderninho aposentado por menos que o preço do próprio caderninho.
Adiantou, registrou, assinou. O acerto do fim do mês agradece.
Todo documento emitido aqui pode sair com a chancela do Reciba — assinatura eletrônica com e-mail confirmado, registro com data/hora e IP, e QR de verificação. Veja como o QR funciona · Recebeu um documento? Verifique aqui.
Perguntas frequentes
O que é um vale de adiantamento?
É o registro escrito de um adiantamento: dinheiro entregue agora por conta de um pagamento futuro — salário, diárias, acerto de serviço. Ele funciona como recibo (prova que o valor foi entregue, com assinatura de quem recebeu) e como lembrete de desconto (diz de onde o valor vai sair depois).
Quem assina o vale?
Quem recebeu o dinheiro adiantado. O papel assinado fica com quem concedeu o vale — é ele quem vai precisar provar o adiantamento na hora do desconto. No Reciba, além da linha de assinatura, há confirmação eletrônica opcional pelo link, com código por e-mail.
O que escrever no campo "a descontar de"?
O pagamento de onde o valor vai sair: "salário da competência agosto/2026", "acerto semanal de 14/08". O campo é opcional, mas preenchê-lo é o que evita a discussão clássica do acerto. Se o destino do desconto já é certo, escreva.
Vale de salário pode ser descontado depois?
O vale registra que as duas partes combinaram o adiantamento por conta de um pagamento futuro, e o desconto se documenta na baixa: no recibo do pagamento, a observação "já descontado adiantamento de R$ ___". Regras específicas de desconto em folha para empregado registrado são assunto para o contador.
Vale anotado em caderno tem o mesmo efeito?
A anotação de caderno é unilateral: quem recebeu o dinheiro nunca assinou aquela linha, e na hora do acerto ela vira palavra contra palavra. O vale assinado registra o reconhecimento das duas partes no momento da entrega — é isso que encerra a discussão antes de ela existir.
Preciso dar baixa no vale depois?
Precisa — é a metade final do ciclo. No recibo do pagamento em que o desconto aconteceu, escreva na observação: "já descontado adiantamento de R$ 300,00 concedido em 12/08". Vale assinado na saída, baixa escrita na chegada: o acerto fecha sem sobra de dúvida.
Posso fazer vale entre pessoas físicas?
Pode. Basta identificar quem concede e quem recebe com CPF, o valor em número e por extenso, o motivo do adiantamento, a data e a assinatura de quem recebeu. É prática comum em obra, comércio e serviço doméstico.
Quanto custa emitir um vale no Reciba?
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Mais sobre vale
- Modelo de Vale em Word (.docx) para baixar grátis
- Vale de adiantamento salarial: o desconto combinado antes de virar briga